SAUDE

Publicada em 23/07/17 às 23:45h - 387 visualizações
Promotora diz que falta de segurança em unidades de saúde é extremamente grave no RJ.

fonte: oglobo.globo.com


Como a imprensa revelou, facções criminosas já controlam algumas Unidades de Pronto-Atendimento (UPAs), determinando quem vai ser atendido.
A promotora da Coordenação da Saúde do Ministério Público do Rio, Denise Vidal, afirmou que a falta de segurança nas unidades de saúde no estado é um problema "extremamente grave", que causa impacto nos atendimentos na rede pública. Como a imprensa revelou, facções criminosas já controlam algumas Unidades de Pronto-Atendimento (UPAs), determinando quem vai ser atendido. Segundo a promotora, no próximo dia 31, o MP estadual fará uma audiência pública com os gestores das esferas federal, estadual e municipal, para que cada um assuma sua responsabilidade e possa buscar uma solução para a questão. Também foram convidados diretores e profissionais do setor.
Temos recebido informações de que os funcionários estão sofrendo sérias ameaças, assim como os usuários dos serviços, nessas áreas conflagradas. Isso faz com que os profissionais da saúde trabalhem num elevado nível de estresse e gera uma ausência de estabilidade de serviços, pois muitos se afastam do trabalho ou até abandonam por não terem condições psicológicas ou por medo — explica a promotora, que estendeu o assunto também para a educação, que vive o mesmo problema.
Segundo ela, a crise financeira ajudou a agravar mais ainda a situação. Autoridades, especialistas e médicos das unidades são unânimes em dizer que os atendimentos de guerra que salvam vidas de vítimas baleadas são realizados em meio à falta de recursos. O impacto dos tiros resvala nas redes de saúde e aumenta outro drama com o qual profissionais de Saúde tem de lidar: o financeiro. Muitas vezes, a segurança deles depende disso.
Paula Araújo examina paciente na sala vermelha do Hospital da Posse 
Uma enfermeira da UPA de Costa Barros, que atende exclusivamente uma determinada facção criminosa por imposição do tráfico da região, conta que precisa improvisar para garantir os atendimentos, inclusive soldando equipamentos e economizando materiais. Certa vez, um traficante reclamou que ela não estava usando gazes de tamanho grande para encobrir um ferimento. Ela precisou ter jogo de cintura para que ele entendesse que ela não mentia sobre a falta do insumo.
— Tive que abrir a gaveta e mostrar que não havia outro tipo de gaze, pois ele exigia um tratamento diferenciado. Ele já estava gritando comigo — lembra a profissional.
O problema também ocorre em hospitais. Desde o ano passado, uma funcionária do almoxarifado do hospital Salgado Filho, no Méier, tem nova função. Além de zelar pelos estoques (quase sempre vazios) de insumos, ela virou uma espécie de "relações públicas" forjada pela crise. Quase todos os dias liga para outras unidades de Saúde, até mesmo estaduais e federais, e promove uma espécie de "escambo". Se falta gaze, por exemplo, pede para uma unidade que tenha o material, em troca de qualquer coisa que o hospital tenha em estoque sobrando. Entra aí a segunda parte do troca-troca: uma caminhonete, a serviço do hospital, vai até as unidades recolhendo o que possa ajudar a manter o Salgado Filho funcionando.
— A gente não tem segurança pra dizer o que vai dar pra fazer no outro dia — disse um médico da unidade, que pediu anonimato. - A gente arruma ali, um pouquinho aqui.
Exames feitos em paciente baleado no Hospital Getúlio Vargas, verdadeiro hospital de guerra - 
Essa é a realidade de um hospital que recebeu, até a última quinta-feira, 409 baleados — o recordista do estado. A direção da unidade informou que não procede a informação de que falta de insumos no local.
A falta geral de leitos também é um problema. No Hospital da Posse, que é o segundo a receber mais baleados, um corredor do hospital precisou ser fechado para acomodar pacientes ortopédicos que não tinham outro lugar para a internação. O ambiente ganhou portas e foi climatizado. A gambiarra foi apelidada de "puxadinho" pelos funcionários do hospital. Na última segunda-feira,quando a a imprensa esteve na unidade, os 32 leitos de CTI estavam ocupados. A sala de trauma também tinha um leito "extra", uma maca rente à parede.
— Não só me sinto em um hospital de guerra por causa da violência. Mas também "guerra" no sentido de a gente estar em um hospital público, com todas as dificuldades que a gente tem, de material, de vaga de terapia intensiva, e a gente ainda correr atrás e tentar fazer o melhor pelo doente — ressalta o neurocirurgião Bruno Pereira, do Hospital da Posse.
Equipe médica durante a 'hora de ouro', no jargão médico, o momento de estabilizar e aliviar a dor do paciente -
Segundo a direção da unidade, 60% das pessoas que recorrem ao hospital não moram em Nova Iguaçu. Na última segunda-feira, chegou a aparecer por lá uma criança encaminhada pela Unidade de Pronto Atendimento de Irajá, no município do Rio. De acordo com o prefeito de Nova Iguaçu, Rogério Lisboa, o Estado do Rio não repassa mais R$ 1,5 milhão firmados em convênio, acumulando uma dívida de R$ 40 milhões até agora. O Hospital, que é federal mas cuja gestão fica a cargo do município desde 2002, custa R$ 18 milhões por mês, sendo R$ 6,3 milhões do governo federal. A prefeitura pede que a União aumente esse valor em R$ 8 milhões.
— Não é só o problema que me causa no hospital. Quando a União deixa de fazer o repasse pro hospital, ela desarruma todo o sistema de Saúde da cidade — se queixa Lisboa, dizendo que o número de vítimas de balas socorridos na unidade é "um ponto fora da curva". — A gente tem seis salas de cirurgia. Se chegam dois baleados ao mesmo tempo, já ocupamos um terço das salas.
Uma médica da unidade lembra que, em dezembro do ano passado, um paciente que havia sido atropelado não conseguiu ser medicado na unidade porque faltavam remédios para dor.
— Eu lembro que conversei com a enfermeira, disse que não tinha remédio para dor e falei para a família: "olha, vão na farmácia e comprem um remédio para dor, porque aqui não tem. Ele chegou às 10h e só conseguiu tomar o remédio 16h — disse a médica.
O Hospital Getúlio Vargas, outra unidade em meio a vários territórios conflagrados na Zona Norte do Rio, também vive sérios problemas decorrentes da crise. Só neste mês, o hospital demitiu mais de 70 médicos e setores inteiros fecharam. Para o secretário de Estado de Saúde, a guerra urbana, a saída de usuários de planos de saúde e doenças decorrentes de problemas financeiros agravam a situação já combalida dos hospitais do estado:
— A saúde é sem sombra de dúvida a área mais prejudicada pela crise. Tanto pelo número de pessoas que saíram dos planos de saúde e entraram na rede pública quanto pelo aumento dos atendimentos de baleados causados pela guerra urbana e também pelo maior número de casos de depressão e outros problemas psicológicos associados ao desemprego. Em qualquer lugar do mundo, é justamente nos momentos de crise que se aumenta o investimento em Saúde. Penso que é hora de rever essas prioridades no país — afirmou o secretário.
Uma maca chega em segundos, assim como uma equipe médica que parece ter simplesmente surgido ali - 
No Hospital Moacyr do Carmo, que conseguiu resgatar o pequeno Arthur, bebê baleado no fim do mês passado ainda na barriga da mãe, profissionais da unidade relatam que há falta de médicos e insumos. A unidade divide com a Posse o atendimento a baleados na Baixada Fluminense inteira. Só esse ano já foram 328 socorridos:
— A gente já teve que suspender cirurgias por falta de insumos e roupas esterilizadas — disse uma funcionária, que ressaltou que esse é um problema recorrente no hospital.
De acordo com a pesquisadora da Escola Nacional de Saúde Pública da Fiocruz e especialista em atendimentos de emergência Gisele O'Dwyer, o aumento da violência demanda mais hospitais exclusivos de trauma, capazes de dar conta da demanda. O que parece inviável, diante da falta de recursos em todas as redes:
— Esse tipo de armamento muito mais pesado que exige cirurgia vascular, neurocirurgia e cirurgia ortopédica, o ideal é que essas pessoas ficassem nos centros de trauma — afirma a especialista. — Fora que a gente está vivendo um momento em que todas as unidades de saúde estão sofrendo com falta de tudo. O que a gente está vivendo está muito longe do normal.
Para Jorge Darze, presidente da Federação Nacional dos Médicos, as emergências do Rio, com suas carências e atendimentos dignos de guerra civil, simbolizam a falência do estado:
— Lamentavelmente é uma situação em que o poder público está falido.Os hospitais se tornam o esgoto da sociedade, é pra lá que vão os baleados, assaltados e acidentes de transito. Esses profissionais (das emergências) estão se capacitando cada vez mais lidar com a gurra urbana.




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