JUSTIÇA

Publicada em 30/03/17 às 23:02h - 272 visualizações
Júri absolve 3 PMs acusados de jogar suspeito de roubo do telhado e executá-lo.

fonte: g1.globo.com


Jurados aceitaram versão dos réus, de que eles somente revidaram tiros que teriam sido disparos por rapaz. Ministério Público contesta, alega que vítima estava desarmada e foi executada; promotor irá recorrer da decisão.

A justiça absolveu na noite desta terça-feira (28) os três policiais militares acusados de empurrar do telhado um suspeito de roubo, atirar no homem e matá-lo em seguida em São Paulo. Os jurados aceitaram a versão dos réus, de que eles atiraram para revidar os tiros que teriam disparados por Fernando Henrique da Silva, de 23 anos, no dia 7 de setembro de 2015.

Desse modo, os agentes, que estavam presos desde então no presídio Romão Gomes da Polícia Militar (PM), serão colocados em liberdade nos próximos dias.
O Ministério Público (MP) não concordou com a decisão do júri que ocorreu no Fórum da Barra Funda, na Zona Oeste da capital, e durou dois dias. O promotor Rogério Leão Zagallo irá recorrer.

Para a acusação, os agentes da Polícia Militar (PM) Flavio Lapiana de Lima, Fabio Gambale da Silva e Samuel Paes deveriam ser condenados pelo crime de assassinato porque executaram uma vítima desarmada, com dois tiros de cima para baixo.
As imagens feitas por um cinegrafista amador foram usadas no julgamento. Elas mostram o momento exato que o policial Samuel joga Fernando de uma altura de três metros. Após a queda, Flavio e Fabio mataram o suspeito, segundo a acusação. É possível ouvir o som dos tiros na gravação.

Fernando Henrique da Silva (no detalhe) é rendido por policial militar. Suspeito é jogado do telhado e depois é morto por policiais.

Mas essa versão não convenceu a maioria dos sete jurados, que, em votação, absolveram os três policiais por acreditar que eles agiram em legítima defesa. "Flávio Lapianao de Lima, Fábio Gambale da Silva e Samuel Paes absolvidos das práticas delitivas descritas na decisão de pronúncia", disse a juíza Giovanna Christina Colares ao ler a sentença após a decisão do júri popular.

Os três policiais militares comemoraram a decisão. Zagallo, por outro lado, reclamou do advogado da família da Fernando, Richard Bernardes, que atuou no plenário como assistente da acusação, e pediu a absolvição de Samuel.
"Eu nunca vi isso na minha vida. Eu nunca vi um assistente de acusação pedir a absolvição. É o advogado da família da vítima", falou o promotor.

Questionado pela reportagem, o advogado da família, no entanto, disse que agiu pela sua consciência.
"Hoje, depois de assistir 200 vezes aquele vídeo eu cheguei a conclusão que o Samuel não teria a intenção de matar, ele simplesmente empurrou ou soltou a vítima, mas a decisão é do conselho de jurados e a gente tem que respeitar", disse Richard Bernardes. "A gente tem que respeitar."

O julgamento começou na segunda-feira (27), com os depoimentos de 14 testemunhas e os interrogatórios dos três réus. Todos foram ouvidos durante 10 horas.
De acordo com a defesa dos PMs, o trio nega ter empurrado e executado Fernando. Alega que o suspeito se desequilibrou quando foi abordado por Samuel e caiu. Depois, sustenta que ele estava armado e atirou contra Flavio e Fabio, que revidaram os disparos para se defender.

"Os jurados são pessoas de bem, pessoas ordeiras", disse o advogado dos PMs, Nilton de Souza Nunes. "Nós não podemos nos esquecer que o indíviduo [Fernando] optou por um caminho do mal. Não adotamos a linha de que bandidos têm de ser mortos, mas entre morrer um bandido e morrer um policial, me desculpem, eu prefiro o policial vivo".

Perseguição policial
Segundo a acusação, Fernando e um amigo, Paulo Henrique Porto de Oliveira, de 18, estavam sendo perseguidos por seis policiais como suspeitos por estarem numa moto que havia sido roubada dias antes.

Assim como Fernando, Paulo também foi morto na ação policial. Durante a perseguição, a dupla abandonou a moto e se separou. O primeiro subiu nos telhados de casas e o seguindo se escondeu dentro de uma lixeira na rua.

Imagens de câmeras de segurança mostram sequência de como Paulo foi morto por policiais.

Segundo suspeito morto
Câmeras de segurança também gravaram o instante no qual Paulo foi rendido e levado para uma esquina, onde foi baleado por um agente.
Três policiais envolvidos nesse caso foram julgados neste mês por suspeita de executarem Paulo. Eles alegaram que a vítima havia tentado tomar a arma de um PM, que reagiu atirando. Todos respondiam ao crime presos.

No último dia 14, o soldado Tyson Oliveira Bastiane foi condenado pela Justiça a 12 anos, 5 meses e 17 de dias de prisão por homicídio simples pela morte de Paulo. O policial também cumprirá pena de 7 meses e 15 dias de detenção, em regime aberto, pelo crime de fraude processual.
O PM Silvano Clayton dos Reis foi absolvido do homicídio, mas acabou condenado por falsidade ideológica e porte ilegal de arma a 4 anos, 11 meses e 17 dias de prisão no regime semiaberto. O policial Silvio André Conceição foi inocentado de todos os crimes e acabou solto.



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