BOMBEIROS

Publicada em 07/01/19 às 22:11h - 103 visualizações
Comandante dos Bombeiros de Santa Cruz Fala Sobre Atuação na Boate Kiss.

fonte: gaz


Atual comandante dos Bombeiros de Santa Cruz, Gerson da Rosa Pereira foi a primeira pessoa a ser condenada pelo caso, em 2015.
Um prédio em chamas, homens quebrando as paredes do local, corpos sendo carregados. As imagens da tragédia que completa seis anos no próximo dia 27 foram transmitidas ao vivo para todo o País e permanecem vivas na memória de familiares, amigos e de todos que presenciaram, de perto ou longe, o horror que tomou conta da Boate Kiss naquela madrugada. Em meio ao caos, na linha de frente do socorro, estava o tenente-coronel Gerson da Rosa Pereira, atual comandante do 6º Batalhão de Bombeiros de Santa Cruz do Sul. Na época, ele era chefe do Estado Maior do 4º Comando Regional do Corpo de Bombeiros de Santa Maria e foi a primeira pessoa condenada no processo sobre o incêndio, em 2015. No último sábado, ele falou sobre o caso pela primeira vez, em entrevista exclusiva à Rádio.
Comandante dos Bombeiros de Santa Cruz fala sobre atuação na Boate Kiss.

Na hora em que o fogo começou, aproximadamente às 3h15, Pereira estava em casa com a esposa, dormindo. Tudo naquela noite indicava que a madrugada seria tranquila, até que o telefone tocou, por volta das 3h30. Ao receber a informação de que a boate estava em chamas, Rosa questionou imediatamente se havia vítimas. A resposta que ouviu, anunciando uma tragédia ainda pequena perto do resultado final, foi assustadora: 30 pessoas já estavam mortas.
“Esse número já é algo que foge completamente do normal. Quando tu pensas que pode haver um óbito tu imaginas uma, duas, até dez pessoas, que já é algo assustador, mas que vemos em acidentes de trânsito, principalmente envolvendo coletivos. Mas quando ele me falou em 30 jovens mortos, a situação se tornou ainda mais assustadora. Foi o momento em que eu me conduzi para a Rua dos Andradas, e eu não saí de lá ate hoje.”
Além de tudo que viveu atendendo vítimas e familiares, Pereira sabia que as filhas tinham cogitado ir à festa. As meninas, atualmente com 23 e 25 anos, eram amigas de muitas das vítimas e iriam na boate, mas acabaram desistindo por causa de outros compromissos. O namorado de uma delas, inclusive, era do curso de Agronomia da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), onde estudava a maioria dos frequentadores daquela noite.
Ao todo, 242 pessoas morreram e 623 ficaram feridas na Kiss. A boate não tinha saída de emergência ou sinalização, e muitos confundiram o banheiro com a porta da rua, morrendo lá dentro. O caso resultou em diversas mudanças na lei sobre segurança dos estabelecimentos.
A madrugada
O caos estava instalado quando o comandante chegou à boate. Pessoas com queimaduras eram transportadas, e jovens já haviam começado a quebrar as laterais do prédio com marretas. “A situação já era praticamente definida, porque médicos legistas estimaram de dois a três minutos que aquele gás tóxico tenha levado todos aqueles jovens a óbito. Então tinha a preocupação de organizar aquilo tudo, porque eram diversas instituições trabalhando, bombeiros, Samu, polícia estadual, Exército, e era preciso articular as pessoas”, lembra. Sobre a atuação dos jovens que ajudaram a derrubar as paredes, criticada na época, o comandante afirmou se tratar de algo pensado. “Aquela era uma situação de todos se ajudarem, de tão pouca gente para atender tanta gente envolvida. Os bombeiros estavam fazendo a aeração, que são aberturas no teto da edificação para o gás sair e o oxigênio entrar, e os jovens se ofereceram para abrir as paredes, o que facilitaria a saída de fumaça. Foi uma decisão tomada pelo comandante da operação, e ninguém imaginava que essa fumaça seria tão letal.”
A condenação
Gerson da Rosa Pereira foi condenado, no dia 1º de setembro de 2015, a seis meses de prisão por fraude processual. De acordo com o Ministério Público, ele e o sargento Renan Severo Berleze teriam inserido no arquivo da boate, no Corpo de Bombeiros, documentos que não faziam parte do plano de prevenção contra incêndio da Kiss. Em novembro, Renan aceitou a suspensão condicional do processo em troca do pagamento de dois salários mínimos e da obrigação de se apresentar à Justiça a cada três meses, durante três anos. Gerson não aceitou o mesmo acordo, e o processo seguiu na Justiça.
“Minha condenação se deu porque eu falei que havia excesso de pessoas. E quando isso acontece, tu te preocupas em buscar qual era a capacidade do local. Em razão disso veio um documento e ficou comigo. O plano de prevenção original ficou comigo. O PPCI era igual a hoje, mas não exigia planta. Esse laudo populacional veio da engenheira que fez a boate e, ao encaminhar para a Polícia Civil, isso foi. A polícia, por falta de experiência ou incompetência, imaginou que eu tinha colocado isso dentro do projeto”, detalhou. Sobre ter recusado o acordo, o tenente-coronel afirma que queria justiça. “Me foi proposto transacionar, mas verdade não se transaciona. Eu queria justiça, queria provar que não fiz aquilo e acabei sendo condenado.”
Além dos bombeiros, nenhum outro indiciado foi julgado até agora, incluindo os donos da boate e os integrantes da banda que iniciaram o incêndio de forma não intencional. Para Pereira, a condenação da corporação, antes de qualquer outro responsável, aconteceu em resposta ao desespero das famílias. “Alguém tinha que ser condenado, porque essa quantidade de vidas perdidas não tem que passar despercebida”. No entanto, ele questiona o envolvimento do delegado que conduziu as investigações, cuja sobrinha morreu na tragédia. “Ele estava muito envolvido no caso, não poderia conduzir as investigações, mas conduziu. E indiciou por homicídio doloso todos os bombeiros que atenderam a ocorrência, uma coisa que cabe apenas à Justiça Militar”. Conforme o tenente-coronel, todas as normas e exigências que eram necessárias foram exigidas pelos bombeiros aos donos da Kiss.

Pereira: pedido de perdão aos familiares
“A culpa é de todos”
Entre lembranças da noite do evento e avaliações sobre os anos que seguiram, Pereira revelou que precisou de tratamento psicológico e psiquiátrico, deixando os remédios para depressão somente no ano passado. Hoje, ele pede perdão aos pais e familiares das vítimas, e divide a culpa pela tragédia. “A culpa é de todos. É do governo do Estado, porque não operacionaliza suas instituições e não coloca gente suficiente. Culpa da engenharia, que não prevê no currículo dos profissionais a prevenção de incêndios. É do Ministério Público, que exigiu a colocação de qualquer material como revestimento para reduzir o ruído. É da Prefeitura, porque seu quadro de engenheiros viu a situação. É das pessoas, porque não temos essa preocupação com prevenção. E é também do sistema produtivo, que não prevê materiais que resistam a essas situações.”
Depois das chamas
Após o desespero inicial para resgatar os jovens e contar as vítimas, uma parte ainda mais difícil estava por vir: o reconhecimento dos corpos. A operação ficou concentrada no Centro Esportivo Municipal (CEM). No primeiro ginásio foi instalada a parte administrativa do comando, onde as famílias eram recebidas. No segundo estavam os corpos, que precisaram ser vistos um a um pelos parentes. Ao lado havia um terceiro ginásio com profissionais da psicologia, psiquiatria e assistência social para dar suporte.
Por último, um espaço ficou destinado para a preparação dos caixões e ritos religiosos. “Foi o momento mais tenso e assustador. Levamos oito horas até a identificação da última menina, que era do Mato Grosso do Sul. Não tinha só gente do Estado lá, tinha gente de todo o mundo”, recorda Rosa. O som dos celulares das vítimas tocando, recebendo ligações de familiares, também ficou na memória de Rosa, que se emocionou ao lembrar dos fatos. “Desde a boate até o ginásio havia celulares tocando. É uma coisa que tu não esqueces. Na hora tu não sentes porque está em envolvido em resolver a questão, isso vem do treinamento militar. Tu vês amigos, filhos de amigos, e tem que aguentar.”



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